segunda-feira, 27 de maio de 2013

Hoje, quando eu cheguei da escola, vi um pacote do SEDEX aberto na sala.

Não fazia a menor ideia do quê poderia ser aquilo. Imaginei que fosse alguma peça que meu pai encomendou para o computador, ou sei lá. 

Minha mãe estava no chuveiro. Eu bati na porta e avisei que tinha acabado de chegar, e ela pediu para que eu entrasse para conversarmos. Eu entrei no banheiro, e ela começou a me explicar o quê aconteceu.

Ontem de manhã, acordamos mais cedo para levarmos meu avô para fazer alguns exames. Ele tinha umas manchas estranhas espalhadas pelos braços e pela careca que precisavam ser examinadas. Eu fiquei na escola de manhã, dei ''Tchau'' para ele, e meus pais levaram ele até o hospital. Meu avô não pode mais ir sozinho ao hospital onde minha mãe trabalha. Isso porque da última vez que ele fez isso, desmaiou no meio da rua e bateu a cabeça na calçada. Naquele dia eu recebi uma ligação na escola, da minha mãe, pedindo para que eu fosse com eles ver meu avô. Naquele dia, meu avô foi internado. Passamos meses cuidando dele e ele foi melhorando gradativamente. Mas por causa da queda, ele seu Alzheimer acelerou. Meu avô, o homem que passou mais tempo comigo quando eu era pequena do quê meus próprios pais, o homem que cuidou de mim por tanto tempo e me ensinou tanta coisa, agora parecia um velho. Ele tinha apenas uns setenta e poucos anos. Mas sua mente já estava se tornando a mente de uma pessoa muito mais idosa. Naquele ano eu fui muito mal na escola porque precisava passar noites em claro no hospital com ele. Mas passou. Achamos que tudo estaria bem. Só precisaríamos dar mais atenção para ele... Mas com o tempo ele foi piorando de novo. Contratamos uma empregada para que cuidasse dele e de minha avó, que é cega. Meu avô, um homem teimoso, queria porque queria fazer tudo sozinho e achava que ainda estava bem. E vivíamos brigando com ele por achar que não precisava de ajuda. Meu avô estava se tornando uma criancinha.

Ontem de manhã, eu não olhei no rosto do meu avô. Não só porque eu estava no banco da frente, mas porque eu não queria olhar nos olhos dele. Eu não reconhecia mais meu avô. Aqueles olhos eram os mesmo que eu vi quando ele voltou do hospital. Eram olhos perturbados e insanos. Não eram os olhos carinhosos que brincavam comigo quando eu era pequena. Eu não conseguia mais encarar meu avô de perto. 
Eu disse ''Tchau, vô'' e sai do carro.

Na tarde de ontem, minha mãe chegou em casa muito cedo. Eu estranhei, já que ela geralmente volta tarde da noite, e perguntei o porquê. Meu avô tinha sofrido um acidente e ela estava indo com minha tia para o hospital onde ele estava. Que era o mesmo hospital onde ele foi internado da outra vez. Eu entrei em choque. Eu sabia que tudo iria se repetir. Mas não. Dessa vez foi diferente. 

Quando voltei do cursinho, meu pai me buscou no metrô e me explicou parte da história. Ele saiu na chuva para pegar a correspondência e caiu da escada. Meu pai disse que na hora ele parecia bem, e que um tempo depois uma ambulância do Samu levou ele e a empregada para  hospital. Eu achava que ele ficaria bem. 
Mas não ficou.

Minha mãe me contou tudo. Tinha acabado de parar de chover, quando o carteiro chamou meu avô para buscar as cartas para que não as molhasse. A empregada estava no quintal e avisou meu avô que buscaria a correspondência para ele, mas meu avô teimoso disse que conseguia ir sozinho, e correu na frente dela. A escada da estrada é de cimento liso e é muito alta, muito estreita. Quando meu avô chegou no portão, ele escorregou e caiu (ele não rolou, ele caiu) da escada, de costas, e bateu a cabeça no chão. Um pedreiro que estava do lado viu a queda, e disse que foi feia. A empregada e meu pai correram para ajudá-lo, e na hora ele ainda estava consciente. A ambulância chegou e levou meu avô de maca para o hospital. Minha mãe e uma de suas irmãs foram até lá, e o médico disse que ele não estava em estado grave: Seu estado era gravíssimo. Ele tinha três coágulos na cabeça e duas fraturas. Eles disseram que precisavam operar meu avô, mas o médico não estava presente. Minha mãe e minha tia esperaram o médico das 13h. até às 23h. Minha tia chamou a polícia e minha mãe ameaçou processar o hospital, porque passaram-se dez horas e meu avô ainda estava na maca do Samu. A cirurgia começou à meia noite e terminou hoje, às nove horas da manhã. O médico disse que ele provavelmente não aguentaria. Eles abriram praticamente toda a cabeça dele, e agora ele respira com a ajuda de aparelhos. Além disso, o exames que ele fez de manhã disseram que aquelas manchas eram câncer. Minha mãe também não acreditava que meu avô passaria dessa. 

Quando saí do banheiro, fui direto para o meu quarto. Milhões de pensamentos ocorreram pela minha cabeça. Minha mãe havia dito: ''Algumas coisas são para acontecer, não é? O carteiro nunca tinha chamado seu avô para buscar as cartas. A empregada raramente ficava longe dele. Por azar, o piso da escada ainda estava molhado. E o vagabundo do médico não estava disponível. Infelizmente, dessa vez, não houve escapatória. Era para acontecer''. Eu me arrependo muito de não ter olhado nos olhos de meu avô pela última vez. Muito mesmo. Ainda não sabemos se ele vai sobreviver ou não, mais é muito pouco provável. Meu avô nunca mais vai brincar comigo. Ele nunca mais verá outro namorado meu. Ele não vai me ver no vestido de formatura que minha prima mais velha usou e ia me emprestar, que ele tanto queria ver. Ele não verá meu priminho, de 1 ano, crescer. E eu sinto muita raiva de mim mesma. Raiva porque, mais do que nunca, estou tentando ser forte por mim e pela minha mãe. Raiva porque, mesmo agora e nessa situação, estou tão triste que não consigo nem chorar. Nem uma gotinha, de tanta raiva e tristeza que sinto por dentro. Raiva porque meu avô, que eu queria tanto que morresse em uma cama quentinha e dormindo, sofreu um acidente tão horrível e agora vai embora sem nem ter dado tempo de eu dar um ''Tchau, vô'' com carinho. Só me resta esperar por uma resposta e rezar pelo meu avô. Só me resta continuar firme enquanto ainda posso. 

Hoje o SEDEX entregou uma encomenda que minha mãe havia feito para meu avô. Era um presente de Páscoa que atrasou, e que passamos semanas reclamando com o vendedor para que ele entregasse a tempo de darmos de presente para ele ainda na Páscoa. Enfim, ele chegou.

Minha mãe chorou quando abriu o embrulho.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Amanda Todd e o Perdão

Só vi o video hoje.

O problema das pessoas é que elas não sabem perdoar. É da nossa natureza acharmos que só porque somos mais evoluídos, devemos ser perfeitos. Isso está na política, está na bíblia, e está estampado em todos os lugares. Inclusive na minha vida. Pecar, errar, cair, sangrar... As pessoas acham que isso é um sinal de fraqueza. Que isso é um sinal de que a pessoa não é boa o suficiente. Acham que o erro foi grande demais, e que essa pessoa não merece errar.

Todos nós merecemos perdão.

Errar é humano, e perdoar também é. Nós nascemos para errar. Nascemos pra fazer besteiras, criar confusões, brigar como animais e fazer o que nosso instinto manda. Nossa raça é como todos os animais: Temos nossas fraquezas, temos nossas falhas, e todos deveriam se aceitar desse modo. Não nascemos para nunca comer carne, nunca trair, nunca mentir, ou nunca perdoar. Somos todos animais. A vida resume a isso. Um circo a céu aberto. Um grande caos.

Você nunca brigou com um grande amigo seu e parou para pensar depois que a briga foi meio boba e que vocês se divertiam muito mais quando estavam juntos? Será que seu amigo não merece MESMO uma segunda chance? Será que ele realmente queria te magoar tanto assim? Será que o coração dele não está partido, assim como o seu, porque errou e se arrepende e VOCÊ, e seu ORGULHO, não podem perdoá-lo?

Será que Capitu realmente traiu o Bentinho? Será que sua mãe te bateu porque queria te educar? Será que aquele zero na prova de cálculo não foi para seu bem?

Será que existem mesmo erros imperdoáveis?
Hoje quero que vocês pensem com carinho sobre essas pessoas. Essas pessoas que comentem erros, e se matam de pedir desculpas e continuam te amando e sentindo sua falta, apesar de seu orgulho fazer você não merecer uma segunda chance de ninguém. Pensem em quantas vezes a discórdia e os erros bobos não fizeram pessoas se matarem, ou matarem umas às outras. Alguns de vocês dirão: ''Mas a garota estava errada! Ela cavou a própria cova!''. E para essas, eu digo: Hoje, pode ter sido a garota que mostrou os peitos. Amanhã, pode ser você. Pode ser você bêbado, pode ser você por impulso dos outros, e pode ser você em depressão.

Não virem as costas para essa questão. Compartilhe não só esse video, e não só esse texto enorme: Compartilhe o perdão, também.

"Só quem entende a beleza do perdão pode julgar seus semelhantes." (Sócrates)




domingo, 10 de fevereiro de 2013

Aqui estamos: Nós começamos como amigos...


...E era muito legal, mas acabou que sempre foi tudo fingimento. (Yeah Yeah... ''Desde que você foi embora...''); Você até que se esforçou. Me tomou algum tempo. E não demorou muito até que eu resolvesse te chamar de "Meu". (Yeah Yeah... ''Desde que você foi embora...''); E tudo que você sempre me ouviria dizer... É o que eu queria que você alguma hora me dissesse, também. Mas isso é apenas tudo o que você sempre me ouviu dizer...! Mas, desde que você se foi... Eu posso respirar, pela primeira vez! Eu estou indo em frente... (Yeah yeah!) Graças a você, agora eu finalmente tenho o que eu sempre quis ter...! Desde que você foi embora... Como eu posso explicar disto? Você me deixou entusiasmada. Eu até acreditei naquela idiotice de ''Nossa própria canção de amor''. (Yeah Yeah... ''Desde que você foi embora...'') Por que eu nunca pude ouvi você dizer: ''Eu quero estar somente com você'' ? Acho que é porque você nunca realmente se sentiu desta maneira... Mas, desde que você se foi...! Eu posso me libertar, pela primeira vez! Eu estou seguindo em frente...! (Yeah yeah!) Graças a você, agora eu posso ter o que eu sempre imaginei que teria..! Desde que você foi embora! Você teve suas chances, e as jogou fora! Longe de vista? Então, longe da minha mente! Cale sua boca! Eu já não tenho mais que aguentar isso mais uma vez! E mais uma vez e mais uma vez...! Mas, desde que você se foi... Eu posso respirar, pela primeira vez! Eu estou seguindo em frente! (Yeah yeah!) Graças a você, agora eu finalmente tenho o que eu sempre quis...! Eu, finalmente, posso ser eu mesma! De volta! Eu estou tão ''Superei''! (Yeah yeah!) E agradeço a você! (Graças a você...!) Porque, agora eu tenho! (Eu consegui...!) E você deveria saber! (você deve saber...!) Que eu tenho...! Eu tenho o que eu sempre quis...! Desde que você foi embora...! Desde que você foi embora...

...Desde que você foi embora.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

...E são tantas verdades


...Que eu escondo das pessoas só para não verem elas se desmoronando em tristezas, que ás vezes me pergunto se é realmente correto ficar escondendo tantos segredos para mim mesma. Nunca escondi nada sobre mim para ninguém. 

Nunca menti, nunca traí, não sei nem mesmo blefar quando jogo truco. Mas eu sei de tanta coisa... Eu escondo tanta coisa... Acho que eu faço isso para manter a ordem do mundo. 

Escondo porque sei que assim ninguém vai se desmoronar em lágrimas e sair fazendo besteiras por qualquer canto. Não são coisas que tem a ver comigo. Nem são coisas que eu acho que deveriam preocupar as pessoas. Mas são coisas das quais tenho certeza de que as pessoas guardariam muito rancor se soubessem. Não consigo explicar direito sem citar exemplos. Mas não citarei exemplos para não prejudicar ninguém.

Talvez a própria vida se resume a isso. Uma cadeia de belas mentiras que formam uma corrente que segura todo mundo no lugar. E deve ser por isso que todo mundo teme a morte também. A morte é a única verdade que ninguém pode esconder. Nem mesmo, eu.
E eu me torturo tanto por coisas tão aleatórias... Acho que me importo demais com as pessoas. A ponto de preferir meu próprio mal do que o mal delas. Acho que as pessoas precisam tanto que eu seja sempre assim forte e íntegra, que ás vezes escondo que meu coração também está cheio de falhas.

Não estou dizendo que não sou forte. Já passei sozinha por muita coisa que as pessoas julgariam ser insuperáveis, de tão tristes que são. Mas ainda sim, continuo de pé. O caso é que eu também tenho meus pontos fracos. Eu também tenho rachaduras na minha parede. Eu também tenho amores inacabados e sonhos destruídos. Mas eu sou tão forte e demonstro tanto essa minha força, que as pessoas acham que sou mais forte do que elas, e buscam em mim o apoio que elas deveriam estar dando a si mesmas. Não é isso. Eu só sei da força que tenho, e uso ela sempre que posso. Não faço como as outras pessoas, que precisam de alguém para completá-las e sem isso, ficam infelizes. Eu sou meu próprio amor, e isso basta. Todo mundo poderia fazer isso, mas todos acham muito mais fácil se apoiar em alguém. E por isso, penso que é minha obrigação mostrar para os outros o quanto se pode ser forte e poderoso, só com a própria força.

Mas é uma obrigação muito triste. Ninguém nunca percebe quando você está sofrendo. E por isso você vive muito solitário também. 

Talvez algum dia eu encontre meu porto-seguro também. Mas até esse dia, continuarei escondendo meus arranhões. Continuarei escondendo as falhas que sei que existem na vida das outras pessoas. Continuarei tentando proteger todos da dura verdade:

O amor nunca será perfeito como você espera.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Set Fire to the Rain

Resolvi fazer uma pequena homenagem aqui. 
Eu nunca tinha realmente prestado atenção na música, e só agora percebi o quanto ela é linda. ''Set fire to the rain'' fala sobre os piores momentos de um relacionamento. Porque muitas vezes eles chegam a um ponto em que não estamos satisfeitos, mas também não queremos que tudo acabe de uma vez. Chegam a um ponto em que tudo é confortável, estável e monótomo como um dia de chuva. Daqueles que não fazem você se sentir tão mal, mas também não fazem você se sentir feliz. ''Set fire to the rain'' mostra aquilo que muitos de nós só percebemos quando é tarde demais: Esse estado de chuva tem que acabar o quanto antes, e é nossa obrigação acabar com ele.
Já tentaram colocar fogo em água? Pois é exatamente isso sobre o que Adele fala.
Mesmo que queiramos muito terminar com alguns relacionamentos, que só duram por causa da rotina, continua sendo muito difícil nos impormos para fazer mudanças radicais, como um término.
Por isso ''Atear fogo à chuva''. Parece que você quer fazer algo bom acabar em chamar, mas tudo o que você quer é acabar com algo que estava ficando ruim, da única forma possível.
Bom, não sei me explicar muito bem. Então ai está a letra com minha tradução. Espero que gostem.


''Eu atirei meu coração... Ao chão... E enquanto ele caiu, você se esticou para pegá-lo. Lá estava muito escuro, e eu estava esgotada. Até você beijar meus lábios, e me ''salvar''. Minhas mãos eram muito fortes. Mas meus joelhos eram fracos demais... Para aguentar ficar em seus braços, sem decair aos seus pés... Mas há um lado de você que eu nunca soube que existia, nunca conheci. E todas as coisas que você me disse nunca foram verdade, não eram verdades. E todos os jogos em que você joga você sempre ganha, você sempre ganha...! Mas eu ateei fogo à chuva! Assisti ela cair enquanto eu tocava seu rosto...! Bem, ela queimava enquanto eu chorava porque eu a ouvia ela gritando o seu nome... O seu nome...! Quando eu deitava, com você, poderia ficar para sempre. Fecho meus olhos; Sinto você aqui... Para sempre! Eu e você, juntos. Nada poderia ser melhor...! Mas há um lado de você que eu nunca soube que existia, nunca conheci! E todas as coisas que você me disse nunca foram verdade, não eram verdades! E todos os jogos em que você joga você sempre ganha, você sempre ganha...! Mas eu ateei fogo à chuva! Assisti ela cair enquanto eu tocava seu rosto...! Bem, ela queimava enquanto eu chorava porque eu a ouvia ela implorando por seu nome... O seu nome...! E eu ateei fogo à chuva! E nos atirei para dentro das chamas... E eu senti algo morrer, porque eu sabia que aquela era a última vez... A última vez...! 

Às vezes acordo caminhando para a porta... Aquele coração que você pegou queria ficar esperando por você; E mesmo agora que nós já acabamos, não posso evitar que ele fique procurando você...! 

E eu atearei fogo à essa chuva! Quero assistir ela derramar enquanto toco seu rosto... Bem, ela nos queimava enquanto eu chorava porque eu a ouvia, implorando por você... Por você...! E eu ateei fogo à essa chuva! E nos assisti queimar por entre as chamas... Bem, eu senti algo morrer por dentro, porque eu sabia que aquela era a nossa última vez juntos... A última vez...! 

Deixe queimar...'' 


sábado, 19 de janeiro de 2013

Ás vezes...


...Sinto falta do domingo atoa. Sinto falta de ir no cinema só pra comprar nachos com cheddar e ter que ficar equilibrando tudo no carro até chegarmos em casa pra comer tudo enquanto vemos anime. Ás vezes sinto falta de longas viagens de ônibus e de ter que pagar uns seis reais só pra ir pra sua casa e ficar sem fazer absolutamente nada pelo resto do dia. Sinto falta de ir fazer compras com você e ficar brincando de ser carregada pra cima e pra baixo no carrinho de compras junto com o único pacote de pão que fomos comprar. Sinto falta de ter que esperar horas enquanto o filme baixa, e de mesmo assim não me sentir entediada por causa de sua presença. Sinto falta de quando você pegava aquele negócio que usa pra acender o fogão, que eu nem lembro mais o nome, e saia correndo atrás de mim porque sabia que eu tinha medo daquilo, mesmo sabendo que não queimava. Sinto falta de quando você ficava nervoso comigo porque nunca decorei qual dos botões do chuveiro era o de água quente, e qual era o de água fria, e você sempre tinha que ir comigo até lá pra me explicar. Sinto falta de quando você precisava acordar cedo pra ir no dentista, ou pra ir trabalhar, e eu acordava junto com você só pra poder tomar café da manhã com você e me despedir, mesmo estando com muito sono. Sinto falta de quando eu dormia no carro e você me carregava no colo enquanto subias as escadas da sua casa, mesmo dando tanto trabalho. Sinto falta de quando eu dormia de maquiagem depois de uma festa e você falava que continuava bonita como antes porque o preto borrado fazia meus olhos se destacarem. Sinto falta de como você adorava fazer cafuné em mim e ficar mordendo minha orelha, mesmo sabendo que eu não gostava disso. Sinto falta de quando você ficava bravo de manhã porque eu sempre acordava mais cedo e sempre te acordava junto comigo porque eu não sabia ficar quieta depois que eu acordava. Sinto falta do jeito como você brincava com suas cachorras e de como você parecia uma criança quando ficava com medo que eu fosse embora para sempre. Sinto falta daquele sofá, e daquele carro, e daquela cama. Sinto falta daquele cafuné, daquele abraço, e daquele beijo. Sinto falta de quando você me chamava de ''Gordinha'' só pra me deixar irritada. Sinto falta de como você achava engraçado o fato de eu adorar chá tanto quando você adora café. Sinto falta daquele cheiro misturado de perfume e cigarro que você tinha. E continuo me lembrando de você toda vez que sinto esse cheiro em outra pessoa. Sinto falta das tardes dormindo por falta de assunto. Sinto falta de quando você me levava pra casa e íamos ouvindo música e cantando escandalosamente no carro. Sinto falta de esperar você no canto direito da catraca do Tatuapé, porque eu sabia que era lá onde você me esperava. Sempre foi assim. Sinto falta da sua tatuagem e até hoje sei exatamente quantos brincos você tinha e em quais orelhas eles ficavam. Sinto falta de ficar trocando mensagens com você o dia inteiro, mesmo quando minha conta estourava. Sinto falta de quando você ficava discutindo qual banda era a mais legal e de quando brigava comigo porque eu bagunçava o quarto todo. Sinto falta até mesmo do bico que você fazia quando ficava com raiva.

Mas você não sente mais minha falta. Você não deve se lembrar nem de metade dessas coisas que citei. Você foi embora e me deixou com todas essas lembranças para que eu levasse todas elas por você. E você fez tanta questão de me esquecer, que agora quem faz questão de esquecer, sou eu. Uma vez li uma citação que dizia ''Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te'', e é exatamente o que estou fazendo. Quero escrever isso para que um dia eu possa olhar pra trás e me lembrar de que houve sim coisas boas em nosso relacionamento, apesar de tudo o que aconteceu. Quero jogar fora todo o rancor que guardei por você nos últimos anos, e guardar apenas o que foi bom. Porque sinto muita falta. Muita falta mesmo. Mas sinto falta daqueles anos. Falta daquela felicidade. Sinto muita falta. Mas não de você.


Sinto falta de quem você foi.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Em 2012...


...Eu tive três cores diferentes de cabelo. Em 2012 eu comecei com ele comprido, depois cortei bem curtinho, e agora eles está crescendo de novo. Em 2012 resolvi mudar o jeito que eu me vestia porque eu parecia uma pirralha de 7 anos. O que não adiantou nada porque ainda tenho jeito de pirralha de 7 anos e independente do que eu vestir, vou continuar parecendo assim. Em 2011 prestei uma prova para entrar na escola em que sempre quis estudar, e não consegui. Em 2012 eu prestei de novo a prova, e entrei na escola em terceiro lugar. Em 2012 eu mudei de escola e não cai na sala dos meus amigos, e muito menos gostei da sala em que cai. Mas em 2012, resolvi dar uma chance às novas pessoas, deixei a timidez de lado, e acabei fazendo novos amigos na minha sala, que aliás são muito mais esquisitos e são tão legais quanto os amigos da sala em que eu gostaria de ter caído. Em 2012 recebi dois novos membros da familia, ao mesmo passo em que perdi um membro muito querido. 

Em 2012, terminei um namoro, comecei um novo, e terminei de novo, e aprendi que mesmo depois de ter sofrido, e me acabado, e ter tentado me matar com uma colher de madeira, a vida continua, e temos que seguir em frente sempre. Em 2012 aprendi que todos esses meus relacionamentos fracassados, não foram tão fracassados assim. Aprendi que na verdade eles me ajudaram muito a amadurecer e a aprender que nem tudo é perfeito, mas podemos chegar bem perto. E que pode tudo estar perdido, mas podemos tentar. E que nem sempre ''tentar'', significa ''vencer''. Mas sim, significa ''superar'' e ''fortalecer''. Em 2012 aprendi que nunca estarei sozinha, pois apesar de tudo, sempre terei meus amigos para me apoiar e me ajudar.


Em 2012 descobri que eventos de anime tendem a piorar com o tempo. Que vou continuar odiando química pelo resto da vida, e que não importa o que eu faça, continuarei perdendo muitos amigos queridos pelo caminho. Em 2012 aprendi a falar alemão, a ler a sorte pela mão e li mais livros do que no ano passado. Em 2012 eu fiz academia por dois meses e depois parei por falta de dinheiro e um pouco de preguiça, também. 


Em 2012 aprendi que muitas pessoas vão tentar tirar meu sono, colocar culpa em meus ombros, e fazer eu desisitir dos meus sonhos. Mas a graça é mostrar para eles que o que importa é que você acredita em si mesmo, na sua própria palavra, e por causa disso vai conseguir deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Não podemos ligar para a opinião alheia. 


Em 2012 andei por São Paulo inteira porque fiz muitos amigos que moram longe, ou moram em outra cidade. Em 2012 aprendi a pegar ônibus intermunicipal e aprendi a não me perder (muito) na estação do Tietê e da Armênia. 


Em 2012 vi o mundo acabar e recomeçar do zero, junto comigo. Em 2012 eu não pude doar as roupas velhas como faço todo ano, mas nunca deixei de sorrir para as pessoas da rua e desejar ''Bom Dia'' para os vizinhos. Em 2012 eu disse ''Sinto muito'', ''Eu te amo'', ''Eu te odeio'', e ''Espero que você seja feliz daqui pra frente''. Em 2012 eu ajudei minhas amigas com seus relacionamentos, e também fui muito ajudada por elas. Em 2012 eu me apaixonei, eu me decepcionei, eu desmoronei, e renasci. 


Em 2012 eu viajei para fora de São Paulo pela primeira vez, fui em um cinema caro e 3D de Alphaville, e vi pessoas fazendo stripper no karaokê do meu aniversário. Em 2012 descobri que apesar de nem ter tanto amigos assim, eu tenho o melhores amigos que poderia desejar. E também aprendi que deveria ser mais sensível com eles, ao mesmo passo que eles também deveriam ser mais sensíveis comigo. 

Em 2012 eu sambei, fui no show do Rise Against, e não fui na virada cultural por pura preguiça, mesmo. 

Em 2012 faltei no aniversário da minha melhor amiga por causa de uma doença que peguei um dia antes, e espero que ela me perdoe por não ter estado lá. Em 2012 eu dei um tapa com uma pasta na nuca do meu melhor amigo porque ele não parava de me encher o saco, e espero que ele me perdoe por isso também. Em 2012 eu bati em muita gente, acidentalmente. E magoei muita gente sem querer. E espero que todas essas pessoas me perdoem algum dia por eu não conseguir ser ninguém além dessa idiota que sou. 


Em 2012 eu cai da escada, cai nas carteiras da sala, desmaiei na calçada, desmaiei na escola, ralei o joelho na praia, tropecei e bati a cara no poste, e cai da escada de novo. E estou com tantas cicatrizes que se eu fosse fazer uma tatuagem em cada uma delas, eu viraria o Travis. 


Em 2012 eu escrevi textos lindos e só não tirei 10 porque a vaca da professora disse que estavam muito compridos, assim como este que estou fazendo agora. Mas é só porque eu gostaria de deixar claro que 2012 pode não ter sido o meu melhor ano. Posso ter caído demais, me apaixonado demais, me esforçado demais, e posso nem ter viajado tanto quanto eu queria. Mas 2012 foi um ano que me marcou muito. Porque 2012 fez eu crescer e 2012 fez eu querer levantar para dizer ''Olhem! Eu continuo querendo tentar!''. 


Porque esse foi o ano das descobertas, aventuras, e decepções amorosas que foram e não foram tão decepcionantes. Porque 2012 foi um ano ruim, mas também foi um ano muito bom.


E no dia primeiro de Janeiro, a meia noite, estarei vestindo um vestido branco e desejando que 2013 seja um ano melhor ainda. Desejando que eu posso continuar caindo feito uma tonta, e continuar não conseguindo tudo de primeira, e continuar não encontrando meu príncipe encantado. Mas quero que 2013 me traga tanta força quanto 2012 me trouxe. 


Quero que chova no primeiro dia de 2013, para que a chuva leve embora todas as mágoas que 2012 me trouxe, e só deixe em mim o que eu tive de bom. Quero que 2013 me aproxime de meus bons amigos, e me deixe bem longe de quem não presta. 


E o mais importante: Que 2013 seja tão querido para mim, quanto 2012 foi.


Feliz
Ano Novo!