sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Vocês já sentiram...

... Um gosto metálico na boca? Como se tivessem tentado lamber uma chave?

Nessas últimas semanas tenho tentado me recompor daquilo que eu chamo de ''Meu bom e velho amigo: Coração Partido''. Se você e já teve essa doença, você com certeza sabe do que estou falando. Você passa dias chorando, desejando que nada daquilo tivesse acontecido, que você e pudesse voltar no tempo para consertar tudo, e de repente está ouvindo músicas do Johnny Cash e desejando que nunca tivesse nascido. 

Ou pelo menos para alguns é assim. Johnny Cash me soa meio deprimente demais. Eu ouço Beatles quando estou triste. E nesses últimos dias, eu tenho ouvido Beatles demais.

Eu sou uma pessoa que odeia admitir quando está chateada. Não só pelo fato de odiar ter que contar a mesma longa e cansativa história de como tudo virou de ponta cabeça e ''de repente ele não quis mais'', como também de não gostar de me lembrar disso. Porque toda vez que tenho que contar essa mesma história para várias pessoas, mais eu vou percebendo como tudo acabou de forma tão ridiculamente rápida, e como nem tive a chance de tentar agarrar esse punhado de areia branca que aos poucos ia escorregando por entre meus dedos. Foi rápido demais. Foi triste demais.

Estar de coração partido é triste. E digo isso pela terceira ou quarta vez, e nem por isso com menos dor no coração. Tristeza é algo que é sempre pela primeira vez, porque não importa quantas vezes você se sente triste, é sempre muito mais triste do que da última vez em que você e se entristeceu, ou pelo menos aparenta ser assim.

E toda vez é a mesma coisa. Todos dizem pra você que ficar deprimida, comendo lasanha e assistindo a última temporada de ''How I Meet Your Mother'' não vai curar meu coração. Porque coração não se cura com mais dor ainda. Mas se você pensou que eu diria ''Se cura com alegria'', também errou. Porque não importar quantas coisas doces as pessoas tentem fazer eu mastigar, durante esse tempo frio de solidão profunda, tudo ainda tem o mesmo gosto seco e metálico, como quando você tenta lamber uma chave.

Eu sou uma pessoa salgada. Nunca, nem quando eu era criança, gostei de doces. Nunca gostei de doçuras. Nunca soube apreciar um abraço, um carinho. Odeio qualquer tipo de contato carinhoso com outras pessoas. É por isso que todos vão embora. Não é que eu não saiba amar, mas é porque eu amo do meu jeito. Só consigo me deixar levar por uma paixão depois de anos, e olhe lá. Enquanto eu não tiver plena certeza de que a outra pessoa não me ama, eu não lhe darei nem metade do que posso oferecer. Sou uma pessoa egoísta demais. É como se eu achasse que só eu sou humana. É como se eu quisesse destruir de uma só vez todas as muralhas que você cria para mim, mas quisesse proteger ao máximo minha frágil parede fina. É ridículo.

Mas o amor em si é ridículo. 

Um ridículo que continua rasgando meu peito como se eu ainda tivesse um.

Um ridículo que teima e tentar me fazer feliz, me deixando triste.

Amor é um cara que nem sabe que estou escrevendo isso por ele.

E coração partido é o vazio. É o som do silêncio. É um grito contido. É um sabor ruim na boca. Como quando você tenta lamber uma chave...

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